A Relação de Objeu – A mediação da argila em psicoterapia

 

grid_objeu               https://www.youtube.com/watch?v=Qw8bP3-xLN4

A Relação de Objeu (1)

Nesse documentário, realizado em Março de 1995 na Universidade
da Borgonha em Dijon, França, por ocasião do Doutorado de Alvaro de Pinheiro Gouvêa, temos o primeiro esboço do que denominamos de “Relação do Objeu”. Trata-se da pesquisa de um método em psicoterapia que visa ativar a imaginação através do jogo que se estabelece entre nossa produção manual e
nossa produção verbal.

A pesquisa se desenvolve tendo o Barro como Instrumento de Trabalho Analítico.  Precisamente, enquanto objeto de apoio na relação entre o analista e o analisando , a argila por meio da “expressão conduzida” e da “livre expressão” cria formas que nos permite revelar e esconder imagens impensadas do desejo. Na “expressão conduzida”, o ato analítico acontece através de máscaras de emoção. Na “livre expressão”, a ação analítica se desdobra e é subordinada aos mecanismos da pulsão. Nos dois casos a argila entra como matéria verdadeiramente exteriorizada que deve ser utilizada para compor e conduzir a chamada “Relação de Objeu”.

Nosso desejo inconsciente se expressa no prazer em manusear o barro. O afeto tendo a argila como mediadora revela nossas emoções através de imagens. Aqui, podemos nos perguntar se a psicoterapia se limita apenas nos limites de um comunicação oral, isto é, num contexto de uma prática analítica onde predominapenas a relação com o “Objeto Ideia”.

A nosso ver, a evolução da psicanálise deverá criar condições metodológicas que permita operar igualmente a análise da transferência pela “Relação de Objeu”, ou seja, tendo a imaginação sensorial também como veículo de sensibilidade. Na “Relação de Objeu” o inconsciente segue o comando da imaginação porosa e se deixa penetrar pela ação criadora da matéria.

(1)   A palavra “objeu” não é propriamente uma palavra francesa. Trata-se de um neologismo inventado pelo poeta Francis Ponge, tentando abordar a dinâmica existente entre ob (o objeto), o je (eu) e o jeu (jogo). Encontramos na palavra “objeu” um sema de resistência (de objicere: lançar diante, contra), o Je (eu) e a palavra Jeu (jogo) no sentido de “brincar”. Consideramos a palavra “objogo” como a tradução mais adequada em português. Grosso modo, o “objeu” seria então o objeto de um brincar analítico (objeto do jogo), ou seja, um objeto concreto sugerido pelo analista e inserido no setting com o intuito de ligar “mão” e “verbo”, “sentimento” e “imagem”, “desejo” e “emoção”, procurando unir arte e vida, muitas vezes partida e repartida em objetos metafóricos.